O Yeah Yeah Yeahs ligou os sintetizadores, gravou 10 músicas e fez o que já pode ser chamado, sem medo, um dos melhores álbuns de 2009.
Os vocais de Karen O evoluíram, abandonando o riot do começo da carreira, sem perder sua potência. It´s a Blitz é para se ouvir do começo ao fim, tem o synthpop como fio condutor em faixas com personalidade e repletas de referências. O primeiro single, “Zero“, começa com sabor 70’s a la Giorgio Moroder e explode na guitarra de Nicolas Zinner, prenunciando o espírito do disco.
Aliás, a linda capa do citado single remete a uma das mais polêmicas capas de disco do Brasil, Todos os Olhos do genial Tom Zé.
“Soft Shock” é para dançar de olhinhos fechados na pista. A épica “Skeletons” lembra PJ Harvey em sua fase White Chalk, quando também desacelerou com resultado impressionante. Em “Dragon Queen” (como o CSS em “Move“) a banda emula a clássica “Rapture” do Blondie, pioneiros ao inserir um rap numa faixa de Rock.
Hysteric é quase uma metáfora da nova trajetória vocal de Karen O, que pode ser tudo, menos histérica. Delicada e forte, faria Dolores O’Riordan se arrepender de sua carreira solo.
O Orelha saúda o Yeah Yeah Yeahs pelo belo disco e pela evolução e brinda sua entrada no maravilhoso mundo do synthpop.
Gibran Teixeira

