Orelha
Quando Antonio K.valo, Gibran Teixeira e Thiago Jatobá se encontram para falar de música!
Em tempos de volta…
Categories: Rock

Em tempos de volta (não, não é o disco da Björk), vale lembrar que falta pouco para No Doubt voltar e dividir espaço com a (agora) diva pop Gwen Stefani.
O mais interessante dessa volta não é necessariamente o fato de que a banda desde 2003 não grava nada de novo, e que seu último álbum Everything in Time (2004) era uma coletânea. O que é mais relevante é que seu último sucesso foi uma regravação de “It´s My Life” do Talk Talk, de 1984, com belo clipe dirigido por David Lachapelle onde (quase premonitório) Gwen mata seus parceiros de banda e vai para a câmara de gás.

Nesse meio tempo, ela regravou “Rich Girl“, se esbaldou em batidas 80’s, criou uma grife (L.A.M.B., extremamente electroclash) e brincou muito bem de pop star.

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Tá… e para o retorno da banda??
Bom, eles escolheram no seu repertório uma outra oitentice para ser regravada: Adam and the Ants.  A banda-projeto, com influências nos índios apaches, batidas tribais, música latina, punk rock, new wave e principalmente o universo pirata, é ressuscitada na voz da bela loira com o hit “Stand and Delivery”, de 1980.

Curioso, não?! Pra se despedir, a banda grava Talk Talk e para voltar, Adam and the Ants… Espertos e visionários! Antes de “It´s My Life”, o mundo não estava olhando com tanta febre para a década das ombreiras e tecladinhos, e depois disso, até a versão original voltou a tocar. A escolha de Adam, acreditamos, também quer trazer outras coisas para fora desse baú. Ele já foi referência de Sofia Copolla (outra sempre visionária) para o amante de “Maria Antonieta”, cuja trilha inclui seu sucesso “Kings of the wild frontier”.

O conceito da banda, tão cheio de referências, está muito em voga atualmente, vide MGMT e Animal Collective, que, entre outros, também se espelham em batidas tribais repaginadas, modernices bacanas e barulhinhos interessantes, levando o homem-primata aos teclados e bases programadas.

Amamos projetos musicais, e Adam and the Ants foi uma proposta ótima do cara que depois tentou carreira solo, foi irmão gêmeo de Grace Jones no filme Paraíso Mortal (Pacifica, A Saillor´s Tatoo – 1994) e até um vampiro no filme Love Bits (1993). É de se destacar também que Gwen adotou um visual pirata (que lhe caiu muito bem) que era sua marca registrada.

Aguardamos ansiosamente essa merecida volta, mantendo acesa “a fúria revolucionária da mulher”. (lembram desse muro? Apoiamos manifestações populares…) Welcome back, bandas lideradas por meninas! (Shirley Manson, cadê você? – Antonio chora)

Antonio Kvalo

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