Nos dias de hoje é fácil ver uma banda masculina com vocal feminino. Guitarras pesadas, batidas rápidas, baixo distorcido e uma bela dama nos vocais, deixando explícito que não só de testosterona vive o Rock! Mas quando isso começou?
Tomemos por partida alguns exemplos dos anos 60. Nesse período em que talvez tudo tenha começado de verdade, o Rock deixa de ser contracultura e invade as prateleiras. Deuses do rock começam a ser cultivados e, no meio deste clube do Bolinha, eis que surge o que podemos chamar aqui de Mulheres no Comando. É obvio que não pretendemos nos esquecer das moças que já faziam rock desde o começo dessa história, tais como The Supremes, Tina Turner e outras que já davam seu toque especial à cena. Enfatizaremos, então, as bandas que surgiram especificamente com primeiro vocal feminino, no meio de grandes bandas onde só se via cueca, mostrando que gritinhos de backing vocal não é necessariamente o local da mulher.
Sem querer puxar brasa pra nossa sardinha, falemos de Os Mutantes, banda brazuca dos irmãos Baptista com nossa eterna musa Rita Lee. Começamos por eles, até para lembrar nossos queridos leitores que eles são ainda uma referência recorrente no mundo da música.
Rita tinha ares de donzela, mas na verdade tinha mais força que muito roqueiro por aí. Tinha todos os aspectos de uma Rock Star: talento, presença de palco (e de espírito) e vontade de mudar as estruturas de um mundo antigo que precisava ficar mais colorido. Com influências de Beatles a Jimi Hendrix, eles levaram o xote e outros elementos nacionais aos palcos em performances memoráveis. Rita continuou e os outros mutantes ainda tentaram viver sem ela. Ledo engano, achar que com a saída da abelha-rainha eles conseguiriam sobreviver. Até tentaram voltar… Todos vocês sabem o que aconteceu, né?
Continuando a mostrar que batom e guitarra têm mais coisas em comum do que supõe nossa vã filosofia, entramos no rock psicodélico do Fleetwood Mac, ícones da onda Hippie. Tá, o batom não é necessariamente o item mais importante da vida de Stevie Nicks, e o nome da banda é a junção dos sobrenomes de Mick (baterista) e John (baixista), mas há de se convir que Fleetwood (como os fãs costumam abreviar) é talvez uma das bandas mais importantes dos anos 60, e só se destacou por conta da voz de Nicks. Stevie, aliás, continua beeeeérrando por aí…
Para finalizar, lembram-se do Yardbirds? No fim dos 60, seus integrantes Keith Reif e Jim McCarty passaram do iê-iê-iê (acompanhando um movimento generalizado da cena) a um folk progressivo, agora com a irmã mais nova de Keith, Jane Reif, nos vocais. Forma-se assim o Renaissance, representativo da complexificação do rock, que entre outros desdobramentos, traz o aparecimento de mais mulheres nos vocais, incluindo de vez as meninas na categoria “bandas de rock”.
Eis, então, o primeiro capítulo da novela “Vocal feminino em banda de menino”, que pretende delinear a trajetória delas que ajudaram a elevar o rock à uma atmosfera mais elaborada.Aguardem com fervor os próximos capítulos e tragam suas contribuições (novos personagens, novas tramas, fofocas de basculhante – É bastidor, Antonio…)
Antonio Kvalo

