Orelha
Quando Antonio K.valo, Gibran Teixeira e Thiago Jatobá se encontram para falar de música!
Gui Boratto – Take My Breath Away
Categories: Electronica

Quando reconhecemos a assinatura de um produtor de música eletrônica já bem no início de uma faixa, das duas uma: ou o cara se repete muito, ou já estabeleceu seu estilo. Gui Boratto se encaixa na segunda categoria. Por exemplo, quem não poderia pensar, ao primeiro minuto de seu ótimo remix para “A&E“, da Goldfrapp, – “Hum, música nova do Gui…” , até que a belíssima voz de Alison nos diga do que realmente se trata? O DJ e produtor paulista, após a excelente estréia em 2007 com Chromophobia e seu megahit “Beautiful Life”, que tocou nas pistas do mundo inteiro, volta com Take My Breath Away, excelente álbum que consolida sua prolífica carreira e cerra fileiras com o que há de melhor no techno mundial hoje (seja lá o que signifique essa “tag” em pleno 2009…). Além disso, é mais um reforço no definitivo enterro daquele minimal “conta-gotas” que andou empesteando as pistcheenhas na ressaca do electroclash…Gui Boratto

O álbum começa suave com a faixa-título, que tem ecos de Booka Shade, como, aliás, boa parte de suas produções. Esse clima segue em “Atomic Soda”, que lá pelo segundo minuto, explode, mas sem perder a ternura e evolui cambiante, bela e suja…. Poderia ter sido composta por um Vitalic um pouco menos nervoso. “Colors” é alegre e esperançosa, dá vontade de tocar para crianças. Já “Opus 17” e “Les Enfants” lembram o incrível Apparat com suas “bolhas” e batidas geometricamente quebradas. A candidata a hit, claro, é “No Turning Back”, que como a já citada “Beautiful Life” em Chromophobia, é a única faixa com vocais, mais uma vez da esposa Luciana Villanova. É necessária a ressalva que dessa vez a moça não se sai tão bem, seu vocal suave fica meio com cara de karaokê. O que não chega a estragar a boa faixa, permeada de uma empolgante guitarra sintetizada. O clima “up” prossegue com “Azzurra”, que não deixa ninguém parar de mexer o ombrinho e exala o gene kraftwerkiano que a gente tanto ama. A linda “Besides” é a mais oitenteira do disco, entrava fácil na trilha de “Marie Antoinette”. Alguém mais pensou em The Cure aí? Sua melodia é de chorar e confortar ao mesmo tempo, um travesseiro sonoro… “Eggplant” é um electrohouse que não cai na farofice, mas agrada fácil em qualquer pista. Fechando com chave de ouro, está “Godet” e seu piano apaziguador. Ao fim da audição, impossível não vir à cabeça o clichê “orgulho nacional”: o sucesso internacional de Gui Boratto é merecido e digno de nosso aplauso.

Take My Breath Away é daqueles álbuns atemporais, provavelmente nunca vai ser chamado de “tão 2009…” e ironicamente, apesar do título, talvez o elemento que melhor identifique o disco seja justamente o ar. O disco é arejado, a sensação é de que as faixas respiram. É pra se ouvir em casa de dia, jantar com ele e quem sabe, reencontrá-lo numa festinha mais tarde…

Gibran Teixeira

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