Orelha
Quando Antonio K.valo, Gibran Teixeira e Thiago Jatobá se encontram para falar de música!
zoot woman – things are what they used to be
Categories: Electronica, Rock

Nos encontros quase semanais do Orelha, muitas vezes citamos nomes de bandas, projetos e músicas de que gostaríamos muito de falar. Um recorrente é o Zoot Woman, banda inglesa dos irmãos Blake e de Stuart Price (também conhecido como Jacques Lu Cont em seu projeto eterno Les Rythmes Digitales) que tem como base o electro pop da melhor qualidade aliado à eletrônica lá dos 70 e melodias harmoniosas na bela voz de Johnny Blake.

Depois de anos ouvindo repetidas vezes “It´s Automatic”, “Living in a Magazine”, “Grey Day”, a versão deles para “The Model” e mais tudo o que eles gravaram com esmero, já estava na hora de vir coisa nova. Eis que após 6 anos de espera surge um novo disco, Thing Are What They Used to Be.  O entusiasmo foi automático!  

Zoot WomanO primeiro single lançado foi “We Won´t Break”, com distorções e progamações típicas de Zoot Woman. Não impressiona, mas agrada. Faz você pensar: “Saudade deles…” O único momento que se sente uma certa “novidade” é no refrão que deixa claro a influência que Calvin Harris (produzido por Stuart Price) tem sobre os meninos de terno mood. O segundo single mantém a mesma vibração, emociona no refrão e aí a gente lembra porque a banda é tão popular na cena: suas letras são feitas pra cantar! “Lonely by Your Side”, que já tinha sido lançada pelo Azzido da Bass, com vocais do próprio Johnny Blake,  tem cara de hit pronto. (e bom!) A música que abre o disco, lançada no site deles após os dois singles, é talvez a mais animada, “pronta-pra-pista” da história deles. “Just a Friend of Mine” já é sucesso garantido; tem ombrinho, pula-cordinha e refrão com falsete.  Vale gritar pro DJ “Toca Zoot Woman!!” antes que vire versão remix de quinta em coletânea de verão.

 Tudo flui muito bem, sem erros. Valeu esperar tanto tempo. “More Then Ever”  começa com suspense de “Calmer” (do disco Zoot Woman de 2003) e depois segue num catwalk agressivo. “Saturation” poderia ter sido gravada por The Killers, tem sobreposição de elementos, guitarra e um tecladinho distorcido fascinante. “Take You Higher” é meio experimental, mostra que a bagagem é grande e faz a linha “música melódica pra não dizer que não temos coração”. Mas como é notório deles, a música seguinte, “Witness” já começa com uma distorção agressiva e mantém uma marcha impecável até o fim!

Depois o disco entra numa atmosfera Depeche Mode. Faz bonito e talvez dê a entender que a banda tem mais projetos em mente (ou apenas capacidade para tal…). Quase no fim do disco, a faixa-título é boa, mas não mostra o melhor deles, é monótona e pede um remix de Jacques Lu Cont urgente! “Blue Sea” é bela, poucos elementos e a velha união de boa letra e vocal fofo que sempre funciona nos álbuns deles.  Seria, como de costume, a música para fechar o álbum. Mas o fim é com “Live In My Head” que é legal e ponto.

Não é nem de perto o melhor disco deles, mas também não precisa ser! O importante é que continuem fazendo novos e bons discos. Zoot Woman comprova que é uma banda de identidade. Tudo soa muito pessoal, quase previsível, sem perder a linha nem mudar de time pra vender mais disco.

Antonio Kvalo

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