Orelha
Quando Antonio K.valo, Gibran Teixeira e Thiago Jatobá se encontram para falar de música!
Dois segundos discos por dois orelhudos
Categories: Electronica, Rock

Gibran Teixeira: Após meses de ansiosa espera, o MGMT lança seu segundo disco, Congratulations. Escapando da tentação óbvia (e quase sempre, fracassada) de repetir o sucesso estrondoso do disco de estréia, Oracular Spectacular, de 2008, os coloridos rapazes do Brooklyn mantiveram a psicodelia, dessa vez ainda mais vintage, 60/70, numa espécie de surf-rock lisérgico (talvez isso explique a imagem da controversa capa), deixando de lado as explosões eletrônicas de “Electric Feel”, ou “Kids”. O disco se desenrola tranqüilo, seguindo a proposta apontada pelos próprios de que este seria um álbum sem hits. Em alguns momentos, remete ao Belle & Sebastian em sua fase mais ensolarada (a.k.a The Life Pursuit), como na alegre “Song for Dan Treacy”. A sensação quase sempre é de balançar cabeças, bater palminhas ou estalar dedos, música de “luau” se “luau” tocasse música boa…, caso de “Flash Delirium” e “I Found a Whistle”. “Siberian Breaks” começa soft rock e evolui “no espaço” em longos 12 minutos, quase como várias músicas numa só. “Brian Eno” é boa de gritar o refrão e agradará as pistas mais indie. A irônica “Lady Dada’s Nightmare” é o contraponto instrumental,mais viajante ainda, e a faixa-título encerra ternamente esse que é um disco pra se ouvir com calma, sem arroubos. Congratulações(hehe) aos caras por cumprirem tão bem essa árdua tarefa de sustentar o mítico “segundo disco”.

Antonio Kvalo: Uma característica forte do MGMT que continua presente é a inspiração setentista. Enquanto o mundo todo está com os olhos nos anos 80, a banda mantém-se rígida em sua posição psicodélica. Desta vez a ligação é mais Hippie, ao invés do Glam que embalou o primeiro álbum deles. Órgãos e ecos estão por toda parte! Dá vontade até de colocar uma camisa vintage, bem justa num xadrez coloridinho! Definitivamente MGMT está mais rock. E isso é bom!

Gibran Teixeira: O New Young Pony Club cresceu! Se o Cansei de Ser Sexy passou da pré-adolescência pro ensino médio do primeiro pro segundo disco, o NYPC tá pegando seu diploma. Depois da estréia debochada (e deliciosa) em Fantastic Playroom, de 2007, os londrinos voltam “adultos” com The Optimist, cheios de referências dos 80 levados a sério, meio pós-punk, com aquele gostinho inconfundível de The Cure. Vide a faixa-título e em “Before The Light”, duas das faixas em que os vocais estão mais majestosos. “Stone” é um exemplo de como os elementos eletrônicos vêm pra conferir densidade ao trabalho, enquanto “Dolls” é divertida, como típico rock de garotas e assim, segue o disco, mergulhando num gostoso pop melancólico até seu encerramento, com “Arquitecht of Love”. Como vemos, os 80 parecem nunca morrer, tão multifacetado pode ser, e o NYPC traz com louvor sua contribuição a esse infinito tributo.

Antonio Kvalo: O NYPC continua pós-punk e pós-new-wave. Mas agora tem uma pitada dark muito forte, que deixa o segundo trabalho deles mais sério e com ares de “banda que veio para ficar”! Depois do engraçado, leve e divertido primeiro trabalho, eles, que não contam mais com o baixo de Igor Volk, também investiram na sua própria gravadora, The Numbers. Podemos concluir que eles amadureceram, que suas idéias são mais concretas e que os instrumentos estão mais elaborados. Em alguns momentos soa Siouxsie, em outros Blondie. Mas em nenhum ponto eles deixam de ser novos e originais. Perdeu o humor, ganhou um drama! Não é tão automático como o 1º disco, mas é muito bom e pretende ficar uns tempos nos nossos ouvidos.

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