Orelha
Quando Antonio K.valo, Gibran Teixeira e Thiago Jatobá se encontram para falar de música!
Crystal Castles, o Retorno
Categories: Electronica

 

Lá pelo final de 2007, a cena eletrônica foi assombrada por mais uma duplinha mascarada (seguindo a linha do Daft Punk e do The Knife), que faziam um som barulhento que foi logo chamado de “punk  8-bit”. Era o casal canadense Alice Glass e Ethan Kath, o Crystal Castles, que desfilava muita gritaria em vocais estridentes, barulhinhos de video-game e distorções pra todo lado, além de uma profusão de samples enlouquecidos (alguns supostamente ilegais, alvos de certa polêmica). No começo do ano seguinte saia o álbum de estréia. Crystal Castles é um disco empolgante, variado, criativo, em suma: uma bomba! Mas a dupla se mostrou complicadinha: as apresentações não raro eram verdadeiros fiascos: som péssimo, a vocalista Alice sempre ensandecida, incapaz de cantar, etc… (O pobre blogueiro que vos fala viveu a frustrante experiência de aguardar 20 minutos por um show que durou 15, com um saldo de três músicas mal cantadas/tocadas, enquanto perdia Simian Mobile Disco na tenda vizinha, no Creamfields Buenos Aires 2008… Triste.) Por essas e outras, a preocupação era se os dois iam resistir ao hype e mostrar novidades. Pois bem, já vazou o segundo disco, Crystal Castles (de novo!). 

A grata surpresa é que o disco honra a aposta, e de certa maneira supera o primeiro no quesito coesão, já que o début, em que pese sua qualidade, parecia mais um apanhado solto de (muitas) músicas, enquanto esse mostra aquele conceito de álbum que o faz coerente e harmônico. Aliás, harmonia parece ter sido a proposta do duo: os vocais de Alice estão mais controlados, até doces, como na fofa ”Celestica“, em que a moça parece cantar quase in natura. Mas o ruído continua: a faixa de abertura, “Fainting Spells“ começa com uma espécie de alto-falante defeituoso , evolui com versos incompreensíveis, como de costume, encerrando numa batida “funky” breve e estilosa. Mas talvez a melhor surpresa seja “Year of Silence“, onde o CC teve a genial sacada de usar um sampler de “Inni mer syngur vitleysingur” de ninguém menos que a banda islandesa Sigur Rós! O resultado é o parente contemporâneo de algum cântico tribal indecifrável, seguindo a linha da excelente “Untrust Us“, do primeiro disco. Acrescente-se que, nesse caso, os versos são cantados em islandês!

Os efeitinhos “baba, Timbaland!” continuam lá, como em “Baptism” e na ótima “Empathy“, lasciva e suave ao mesmo tempo. ”Vietnam“, bem como a sombria “Violent Dreams“, conta com os vocais fatiados, multiplicando suas camadas sonoras. O disco se encerra brilhante, também com uma barulheira, “I am Made of Chalk“, animalesca como pede a cartilha “orgânico/sintético” da atualidade. Assim, o Crystal Castles indica que veio pra ficar e se consolida c0mo um dos bons projetos da década, daqueles de quem nos lembraremos daqui a anos…  Resta esperar que o amadurecimento musical dos caras reflita em sua postura profissional e torcer por uma vinda ao Brasil. Hein, Circo Voador? hehe

Gibran Teixeira

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