Orelha
Quando Antonio K.valo, Gibran Teixeira e Thiago Jatobá se encontram para falar de música!
Familjen – Mänskligheten
Categories: Electronica, Rock

No post sobre a prolífica cena musical escandinava, citamos o músico sueco Johan T. Karlson, mais conhecido pelo alter-ego Familjen,  que chamou atenção em 2007 com seu álbum de estreia, Det snurrar i min skalle, em que nos apresentava um electro-pop delicioso em língua nativa, fato que pode passar batido pelos mais desatentos, de tão pop que soa sua música.

Pois bem, o moço está de volta com Mänskligheten, segundo disco no qual as referências se multiplicaram, em contraponto ao debut, “synth/eurodance” quase do começo ao fim. Mänskligheten abre com uma homenagem ao Chemical Brothers, “It Began in Hässleholm“, o que antes de  pesquisar, já dá pra imaginar que se trata de uma referência à cidade natal do artista, né? No single “När planeterna stannat“, a bateria vibrante protagoniza uma espécie de ”rock uplifting“, seguida por “Mitt bästa“, em que reaparece a vocação garage do EP Huvudet i Sanden, na forma do sensual vocal da colaboradora Ninsun Poli, cantora da Assíria (?!) radicada em Estocolmo. A bela canta também em “Vinter i april”, faixa com fortes bases percussivas. Aqui, a parceria lembra a dos conterrâneos Lindstrom e Christabelle no excelente álbum Real Life Is No Cool. Mais uma vez, surpreende um tipo de canto tão familiar num idioma tão exótico.

Djungelns lag” tem uma pegada afro, de pensar em dancinhas tribais e tudo… ”Viggo” é deliciosa, com um instrumento oriental (não sei se chinês, indiano ou outro… quem souber, ajude nos comments!) que se harmoniza impecavelmente com os synths. Pós-moderna! Aliás, até nas faixas mais pop, pitadas de oriente aparecem, como em “Det var jag“. Se  Karin Dreijer bebeu do lado de lá do globo pra fazer um trabalho introspectivo no incrível Fever Ray, Familjen usa elementos semelhantes para incrementar sua música caracteristicamente “divertida”. É notória a habilidade com que os suecos manejam as referências mais díspares, criando todo tipo de música.

No encerramento, ao ouvirmos Ninsun Poli entoar o que parece ser um cântico de sua terra em ”Bethnahrin“, fica claro o que significa abrir o disco com a releitura de “It Began In Africa“. Se a humanidade nasce na África (por conseguinte a música), o que temos aqui é Johan reunindo em Hässleholm uma arca de noé musical, fazendo de Mänskligheten um álbum multicultural, certeiramente contemporâneo, fortalecendo a convicção de que a música pop pode ser sim muito inteligente !

Gibran Teixeira

1 Comment to “Familjen – Mänskligheten”

  1. [...] conhecem, é o sueco do Familjen com seu segundo e surpreendente disco, Mänskligheten, falei dele aqui. Do 2º lugar, acabei de falar, são os ingleses do We Have Band com WHB. Leia [...]

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