Como o próprio site diz, a Kitsuné nasceu em Paris, vive em Paris e vive para Paris. E por aí continua, dizendo que a nova coleção de roupas é parisiense, que vende numa butique única e parisiense e que fica localizada em (…) Paris. Peraí, Kitsuné e roupas? Pois é, nem todo mundo sabe, mas o selo e gravadora de música eletrônica que trouxe ao mundo vários nomes do underground para o mainstream também é criador de moda. E como muitos sabem, essa coluna é meio que isso, um pouco de moda, um pouco de música e muito dos dois ao mesmo tempo agora! E nada melhor do que Paris para mostrar que os limites são cada vez menores!
Mas não só da cidade luz vem essa loucura por moda e música. Por mais que eles não digam de primeira, logo depois a gente acaba descobrindo outras nacionalidades envolvidas nesse que é o selo mais comentado desde sua formação em 2002. A começar pelo Japão! Até porque o nome Kitsuné é em japonês e significa raposa (que, segundo o folclore nipônico, são seres inteligentes e com capacidades mágicas que aumentam com a sua idade e sabedoria). Além disso, a força street japonesa é o ponto forte deste coletivo que tem entre os membros Gildas Loaëc e Masaya Kuroki, fundadores oficiais, que tiveram a idéia de unir as áreas durante uma viagem a Tóquio. A globalização não acaba por aí, afinal os outros membros são de uma empresa Inglesa de design; Åbäke, formada por Patrick Lacey, Benjamin Reichen, Kajsa Ståhl e Maki Suzuki. O primeiro grande trabalho dessa galera foi nada mais nada mesmo que gravar com o Daft Punk Thomas Bangalter em seu selo Roulé. Ou seja, um robô sem nacionalidade (e extremamente francês) apadrinhando a raposa!
Eles são famosos por lançar quase que anualmente o Kitsuné Maison Compilation, uma das maneiras mais seguras de conhecer gente nova e boa da música eletrônica. O primeiro foi em 2005, depois de ter lançado em 2002 o Kitsuné Love, em 2004 o Kitsuné Midnight e em 2005 o Kitsuné X. Este ano eles completam 9 edições, mas não só de coletâneas (no melhor sentido da palavra) vive o selo. A dupla Gildas e Massaya lança regularmente discos de remixes próprios e outras vezes um “amigo” entra para fazer algum tipo de projeto musical. É o caso do Digitalism que em 2008 inaugurou uma nova seção, Kitsuné Tabloid, que em 2009 foi feito pelo Phoenix. Eles também produzem o que podemos chamar de “Para conhecer por”; discos temáticos normalmente girando em torno de uma cidade, como foi o caso de Nova Iorque e obviamente Paris e Tóquio. Mas contabilizar a quantidade de discos, ep´s e special featuring é bem difícil e nem é meu foco, até por que “taca no Google pra você ver!”. São mais de 120 itens oficiais no catálogo! E vocês bem devem saber a quantidade de extra oficiais que podem aparecer numa busca inocente… Onde quero chegar nesse momento é a quantidade de bons DJ´s, produtores e bandas que o Kitsuné consegue ter. Lembrando rapidamente eles lançaram Simian Mobile Disco, Tom Boy, Adam Sky (Adamski para os que lembram do garoto produzindo Seal nos 90), Fox N’ Wolf, Boyz Noise, Punks Jump Up, Yelle, Digitalism, La Roux, Delphic, Two Door Cinema Club, e mais um monte (mesmo) de nomes… E ainda são espaço recorrente para remixes do Phoenix, Fischerspooner e recentemente dos brasileiros do The Twelves.
As capas dos discos são um assunto a parte (no qual eu nem vou me prolongar, veja com seus próprios olhos mesmo…), muito provavelmente é a parte design do coletivo que esbanja desenhos quase infantis dos envolvidos em cada edição. Outras vezes as capas são um recorte divertido e colorido de partes do rosto de pessoas diferentes que acaba por formar um outro alguém. É quase um remix!
Tá, já falamos de música, do design, e a moda? Pois é, aí eles são bem franceses mesmo. A globalização fica de lado quanto ao estilo, principalmente nos acessórios que acabam sempre se esquivando para o estilo sessentinha da capital da moda. A última coleção tem como tema “Golf Club”, com pólos em piquet, alfaiataria clássica e curta e sapatinhos e sapatilhas colegiais. As bolsas, em sua maioria criada para o público masculino, é um mix de sacola de viagem com carteira de estudante. O último lançamento é uma mala pequena feita em homenagem ao designer japonês Yoshida que comemora 75 anos e apesar de viajar muito tem como Paris sua cidade predileta (e quem não quer, né Xuxa?). Para tal fizeram uma edição limitada (750 peças) de uma malinha que cabe o suficiente para ficar uma semana em algum lugar do mundo.
O forte deles continua sendo a boa e velha t-shrt com estampas simples contendo dizeres soltos e bem conhecidos da nightlife, às vezes também “anunciando” as bandas que fazem parte de seu casting. Para deixar mais claro, as roupas são bem unissex, até quando feitas para o guarda-roupa da mulherada. Algo muito recorrente nos últimos anos do pret-à-porter parisiense.
Para comprar você não precisa ir na tal butique que só existe na bela cidade, você pode (e deve) comprar pela internet, no site (tosco e divertido por isso mesmo) oficial; ktisune.fr.
Nada melhor do que boa música casada com boa moda! Afinal o que seria da noite se a gente não tivesse um modelão?
Antonio K.valo


[...] It In The Cans”, cuja base lembra “Emerge”, do Fischerspooner, foi destaque na coletânea Kitsune nº6, no longínquo 2008 e é uma das melhores do disco, enquanto “Centerfolds & Empty [...]
[...] (It Is) que também está contida no primeiro disco da Kitsuné, selo francês que já falamos aqui. Inclusive, por falar em Kitisuné e remix, o Metronomy está na edição 03 do Maiosn Compitlation [...]