Em tempos de enxurrada de novos artistas e em que o próprio conceito de álbum vem sendo questionado, ainda existem raros casos de bandas que estreiam com discos de fôlego. É o caso do We Have Band, cujo debut WHB, com respeitáveis 12 faixas que se sustentam, é uma das melhores novidades desse 2010. O trio inglês formado pelo casal Thomas e Dede WP e Darren Bancroft mostra um material de fôlego, articulando várias referências, sem soar descaracterizado nem atirando pra todo lado, o que talvez seja o principal pré-requisito na música hoje, quando “tudo já foi feito”.
A solene e fofa “Piano” abre devagarzinho o disco, que começa a esquentar mesmo em “Divisive”, que ainda vai fazer muita gente repetir “you take me out this way” e “we’re aaaaaallllll divisive” várias vezes… Os vocais do grupo são um capítulo à parte: Enquanto Thomas apresenta um timbre suave, Darren tem um registro ao mesmo tempo poderoso e levemente enfadonho que por vezes lembra LCD Soundsystem, ou The Presets, como em “Buffet”. Em outros momentos, estamos diante de uma espécie de Ting Tings ao contrário, a doce voz de Dede fazendo o contraponto, vide “Love,What You Doing”. Aliás, as aparições da moça são sempre eficientes, enriquecendo ainda mais as melodias: “Honeytrap” já empolga de cara, mas quando a moça entra, no segundo minuto, a faixa pega de jeito.
O single “Oh!” é um hit daqueles que não te deixam parado e um belo exemplo do jogo de vocais do trio, bem como “How to Make Friends”, marcadamente percussiva, bem a gosto da indietrônica atual. Já “Hear It In The Cans”, cuja base lembra “Emerge”, do Fischerspooner, foi destaque na coletânea Kitsune nº6, no longínquo 2008 e é uma das melhores do disco, enquanto “Centerfolds & Empty Screens” emociona ao trazer Darren cantando com mais potência do que nunca sobre uma rica camada de elementos. “You Came Out” é todinha de Dede, um disco-punk beeem pop, delicinha que segue a trilha do NYPC e afins… Finalmente “Hero Knows” fecha o disco com aquela grandiosiade oitenteira de synthpop sério, em que a gente adora acreditar.
Nesse disco, não há faixas irrelevantes: são todas muito boas. E para o WHB, a pecha de “parecer um monte de coisa” não faz mal algum: é a típica banda que quando toca na pista sempre tem alguém que diz: “o que é isso mesmo?”, mesmo sem conhecer… Esperemos (e torçamos) para uma longa vida útil, e quem sabe, daqui a pouco vamos falar de novas bandas: “parece We Have Band…”
Gibran Teixeira

Take your time, take a seat, take a sit down…
[...] do We Have Band, que nem vou me prolongar, para que vocês leiam a crítica recém publicada aqui. Em terceiro venho com a diva black Erikah Badu com New Amerykah PT 02 – Return of the Ank. A [...]
[...] O 3º lugar vocês já conhecem, é o sueco do Familjen com seu segundo e surpreendente disco, Mänskligheten, falei dele aqui. Do 2º lugar, acabei de falar, são os ingleses do We Have Band com WHB. Leia aqui. [...]